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Alto Vale cobra plano permanente contra cheias em roadshow do Voz Única, em Rio do Sul

Alto Vale cobra plano permanente contra cheias em roadshow do Voz Única, em Rio do Sul

Região concentra o maior número de desabrigados por enchentes entre as 12 regionais de Santa Catarina na última década; prevenção estrutural é a prioridade nº 1 dos pleitos apresentados a candidatos a deputado federal e estadual

Rio do Sul recebeu na noite desta quarta-feira (9/9) mais uma etapa do roadshow Voz Única 2026, programa da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) que leva a candidatos a deputado federal e estadual as prioridades do setor produtivo catarinense. Entre os seis pleitos definidos pela regional Alto Vale, o combate às enchentes ocupa o primeiro lugar, resultado de uma década de perdas recorrentes na região.

Entre 2015 e 2025, o Alto Vale registrou 15.049 desabrigados por inundações, enxurradas, alagamentos e tempestades, segundo dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), levantados pela Facisc. O número é o maior entre as 12 regionais da Federação, à frente da Grande Florianópolis (7.068 desabrigados) e mais que o dobro do Planalto Norte (2.914), terceira colocada. No mesmo período, os prejuízos financeiros privados na região somaram R$ 6,6 bilhões, dos quais mais de 70% recaíram sobre a agricultura. Foram 55,5 mil unidades habitacionais danificadas e 948 destruídas, além de 111 unidades públicas de saúde, 220 de ensino e 786 obras de infraestrutura pública atingidas.

Diante desse cenário, o pleito prioritário aprovado pelas associações empresariais do Alto Vale prevê a implantação e a manutenção de um sistema integrado de prevenção e controle de cheias, com obras estruturais, barragens, contenções e monitoramento permanente. “Eu escutei, enquanto buscávamos os pleitos: o que acontece em Rio do Sul? A resposta foi enchente. Alto Vale não é só enchente, temos muito mais aqui. Mas para que isso apareça, precisamos pensar em prevenção e controle de cheias. Esta é a nossa prioridade número 1. Já existem obras em andamento, mas ainda precisamos de muito mais”, Jean Sandro Pedroso, vice-presidente regional da Facisc no Alto Vale.

Ele também reforçou a permanência da duplicação da BR-470 entre as demandas da região, pleito de âmbito federal que prioriza os trechos de maior risco e fluxo e a manutenção perene da rodovia. Na última década, o trecho catarinense da via somou 5,4 mil feridos, 311 mortes e 1,2 mil feridos graves, conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF). “A BR-470 continua nos nossos pleitos. Ela é vital para a nossa região. Não tem como ela não estar. Ano após ano, ela continua assim. Não é choradeira do pessoal do Alto Vale: precisamos que vocês cobrem e lutem por ela, para que possamos, enfim, colocá-la na lista dos realizados”.

 

Saúde, segurança, mobilidade e educação completam a lista

Os outros quatro pleitos da regional tratam de saúde, segurança pública, mobilidade e educação. Na saúde, a proposta é ampliar a capacidade do Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, e da rede hospitalar dos demais municípios. Levantamento do Ministério da Saúde mostra que o número de leitos do SUS na região caiu de 728 para 714 na última década, mesmo com crescimento populacional de 14%. As UTIs aumentaram de 35 para 49 no período, mas a proporção por 100 mil habitantes (15) segue abaixo da média catarinense (16).

Em segurança pública, o pleito propõe o aumento do efetivo policial na regional, com incorporação de tecnologias de monitoramento e inteligência. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apontam mais de 2 mil vítimas registradas no Alto Vale entre 2015 e 2025, média de 182 por ano. As tentativas de homicídio cresceram 60% no período, e as tentativas de feminicídio, 333%. O diretor do Voz Única da Facisc, Jeferson Argenton, explica que a segurança depende de mais do que efetivo policial. “Não podemos cair na utopia que vamos resolver o problema de segurança apenas com aumento de efetivo. Temos que atuar com inteligência e estratégia. Precisamos estruturar e fortalecer, promover a união entre a iniciativa pública e o setor privado. Com isso, conseguimos resolver nossos problemas”.

O quinto pleito da região trata da mobilidade e propõe consolidar e executar o Plano de Mobilidade da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), com prioridade para a SC-350, o viaduto de Rio do Sul e o acesso a Trombudo Central. Segundo o Sistema de Informações Estatísticas (SIE), a SC-350 teve mais de 2,2 mil acidentes entre 2015 e 2025, média de 203 por ano, com mais de 54% dos registros concentrados no trecho entre Trombudo Central e Ituporanga.

Já na educação, a meta é elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) com qualificação docente, avaliações contínuas e gestão escolar orientada por resultados. Em 2025, o Alto Vale igualou a média catarinense nos três segmentos avaliados, mas registrou um dos menores crescimentos do estado no ensino médio entre 2023 e 2025 — apenas 5%, à frente somente da regional Norte.

 

Um documento para 12 regiões

O Voz Única reúne 1.217 demandas construídas pelas associações empresariais e por empresários de mais de 51 mil empresas representadas pela Facisc. Nesta edição, o levantamento recebeu mais de 29 mil votos e definiu 72 pleitos prioritários, seis por regional, distribuídos em oito eixos temáticos, infraestrutura é o principal deles. No Alto Vale, o processo somou 105 pleitos ao longo das edições do programa, 53 em 2022 e 52 nesta edição. “O Voz Única traz o que cada município, o que cada empresário considera importante para Santa Catarina crescer. Ele reúne em uma só voz as demandas dos empreendedores de cada cidade, de cada região, e as entrega aos candidatos. É uma ferramenta para unir esforços em prol do nosso estado e do nosso país, para juntos construirmos um lugar melhor. Quem souber executar vai governar melhor, legislar melhor. Estamos aqui para oferecer parceria: contamos com vocês”, Elson Otto, presidente da Facisc.

O presidente do Conselho Superior da Facisc, Sérgio Rodrigues Alves, ressalta que o objetivo maior do Voz Única é o diálogo. “O Voz Única incentiva a participação comunitária, essencial para as nossas cidades e para o nosso estado”.

O diretor do Voz Única, Milvo Zancanaro, explicou que a plataforma é uma construção coletiva. “Nós ouvimos todos os empresários ligados a todas as associações de Santa Catarina. O Voz Única é um instrumento de apoio e orientação, que serve para vocês usarem nas suas ações”.

O encontro em Rio do Sul teve caráter institucional e apartidário. Cada candidato credenciado teve direito a até dois minutos de manifestação, com ordem de fala definida por sorteio. O circuito do Voz Única 2026 segue nesta semana para Caçador, nesta quinta-feira (10/9), e chega a Brusque no dia 15/9. O último encontro acontece no dia 17/9, com candidatos ao Governo do Estado e ao Senado, em Florianópolis, na sede da Facisc.

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